Domingo, 25 de Abril de 2010

Pedro Francisco Massano de Amorim - Marquez do Lavradio

 

Marquês do Lavradio - “Pedro Francisco Massano de Amorim”, Colecção Pelo Império n.º 73, Agência Geral das Colónias, 1941

 

Neste pequeno livro, o Marquês do Lavradio traça o perfil e o percurso de Pedro Francisco Massano de Amorim que durante mais de 30 anos exerceu a sua actividade nas colónias portuguesas. Desde 1896, quando desembarcou pela primeira vez em Moçambique, até Maio de 1929, quando morre na Índia, como  Governador Geral, passando várias vezes por Angola, ora em comissões administrativas, ora em missões militares, o seu nome ficará ligado à história da ocupação de Angola e Moçambique.

 

A sua importância para o Quitexe advem do facto de ter sido no seu governo geral que foi fundado o posto militar do Quitexe pelo Major Djalme de Azevedo e tê-lo deixado atestado em relatório.

 

Neste relatório, datado de 13 de Abril de 1917 e publicado neste livro, Massamo de Amorim, que fora nomeado Governador Geral de Angola em 29 de Janeiro de 1916, dá-nos conta da situação da colónia nos seguintes termos:

 

 

 “Os trabalhos de ocupação, nos últimos 10 meses, pelos Governadores dos Distritos, com o pessoal sob as suas ordens, minguado em número, mas cheio de dedicações, boa vontade e energia, determinou (…) a conquista de territórios que já agora podemos considerar, com verdade, subordinados à nossa autoridade. Diremos em resumo a este respeito:

 

(…) No Cuanza o Governador Djalme de Azevedo, com uma persistência grande, apenas comparável à sua serenidade, consegue em trabalhos sucessivos de duas colunas, que organizou no grande e pequeno Cacimbo e acompanhou, romper primeiramente o território que lhe ficava entre Lucala e o Ambuíla chegando até ao Encoge, deixando à retaguarda o posto de Quissaque (17 de Março de 1917) e depois, numa segunda fase das operações militares, montar o posto de Quiteche e internar-se já a Norte e a Sul em território dos Dembos (…)”.

 

 

Massano de Amorim chega em Abril de 1916 a Luanda. No ano seguinte, em Maio de 1917, a região de Seles e Angoche revolta-se.

 O seu relatório faz-nos lembrar outras revoltas 44 anos depois. É que «os esbulhos, as perseguições, as prepotências e injustiças praticadas pelos agricultores e comerciantes estabelecidos na região» levam as populações autóctones a tal actuação. Para o governador, as razões são várias: «detenção dos indígenas, imposição de trabalho forçado fora dos termos legais, falta de pagamento de salários, incêndios às cubatas, transgressão do regulamento do trabalho indígena, roubos de propriedades ... a par da desobediência à autoridade, do contrabando de pólvora e armas vendidas ao gentio. (...) Entre todos figura em primeiro plano o esbulho de plantações de palmares por muitos processos diferentes, e é, sem dúvida, este esbulho a razão principal do descontentamento".

 

O modo de actuação também será repetido 44 anos depois:

 

"Não resta dúvida que esta revolta foi planeada com antecipação e que antes de rebentar tinham sido enviados emissários a vários pontos para  conseguir adeptos e auxiliares foi, e tudo tratado com tanto segredo que autoridades, comerciantes e agricultores são unânimes em afirmar que nada tinha transparecido até às primeiras hostilidades contra os europeus.”

publicado por Quimbanze às 22:48

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